Páginas

As ministras superpoderosas


VERA MAGALHAES - FOLHA DE SAO PAULO

Saem os Três Porquinhos, entram as Meninas
Superpoderosas. Em menos de seis meses, o eixo de poder
do governo Dilma mudou: os três homens que comandaram
a campanha e assumiram postos chaves no Executivo e no
partido deram lugar na ribalta a três mulheres que passam a
dominar o Planalto.
Como na lenda infantil, as "casas" dos Porquinhos caíram,
por razões distintas. José Eduardo Dutra deixou a
presidência do PT após enfrentar problema de saúde.
Antonio Palocci (Casa Civil) surpreendeu o país ao
enfrentar a segunda queda em menos de quatro anos.
Sobrou José Eduardo Cardozo (Justiça), que, nas semanas
em que o governo viveu sua principal crise, primeiro teve
atuação discreta, e, depois, saiu de cena por conta de uma
anemia.
Na troca da guarda, entrou em cena um trio que passou a
comandar os principais programas de governo e a
coordenação política de Dilma.
Juntas, Gleisi Hoffmann (Casa Civil) e Miriam Belchior
(Planejamento) são responsáveis pela gestão de todas as
vitrines do governo, do PAC ao Minha Casa, Minha Vida.
A divisão de tarefas, estabelecida quando Palocci ainda
estava sob o teto do governo, agora pode causar alguma
cotovelada entre as duas.
Isso porque Gleisi assumiu dizendo que sua missão seria
cuidar da execução dos programas do governo, e justamente
o mais amplo deles, o PAC, foi retirado da Casa Civil para o
Planejamento, dada a função eminentemente política do exministro.
Se por um lado a nova ministra enfatiza seu papel de
gestora, é de se esperar que some esforços com a terceira
integrante do trio. Gleisi pode dar à negociação política a
leveza que ainda falta a Ideli Salvatti, apostam aliados.
"Gleisi sabe negociar, ceder e compor quando preciso. A
Folha de S.Paulo - As ministras superpoderosas - 20/06/2011
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/poder/po2006201110.htm[20/06/2011 09:59:23]
Ideli já deu mostras de ser mais inflexível", analisa um líder
da base na Câmara.
Única das três que estava no Planalto desde a posse de
Dilma, Belchior passa, com a assunção das outras, a novo
patamar de visibilidade, apostam ministros e aliados.
"A Miriam tem a memória do governo Lula, a confiança da
Dilma há mais tempo e controla a chave do cofre. É ela que
vai dizer quando será a hora de soltar o torniquete dos
gastos", diz um colega.
O único homem de peso na cozinha de Dilma agora é
Gilberto Carvalho (Secretaria-Geral). A presidente cumpre,
ainda que meio por acaso, a promessa de campanha de ter
mais mulheres em cargos-chave.

Nenhum comentário:

Postar um comentário