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Lei Maria da Penha tem duas vitórias históricas no STF

09/02



Usando a máxima "o grau de civilização de um povo se mede pelo grau de proteção à mulher", proferida pelo ministro Carlos Ayres Brito e que deu o tom à sessão desta quinta-feira feira, 9, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a Constitucionalidade dos Art. 1, 33 e 41 da Lei Maria da Penha e eliminou a representatividade da vítima em processo criminal contra o agressor. O julgamento, considerado histórico pelos movimentos feministas, acatou a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 4.424) proposta em 2010 pela Procuradoria Geral da República.


O que era expectativa às 14h30, quando começou a sessão, virou festa, por volta das 20h30, quando o trabalho foi encerrado pelo STF. A primeira decisão foi unânime, enquanto a segunda por 10 votos a 1.



"Essas decisões representam a vitória dos movimentos populares, de mulheres, de todos aqueles que são contra a violência. Isso significa o fim do debate doutrinário e a possibilidade de celeridade dos processos da Lei Maria da Penha. Isso direcionou um recado aos agressores que este País não aceitará mais conviver com a impunidade. O Brasil tem agora uma chance de paz dentro dos lares brasileiros."



VOTOS BRILHANTES - Para a Secretária Nacional de Enfrentamento á Violência contra a Mulher, Aparecida Gonçalves, o que aconteceu nesta quinta-feira, foi uma grande plenária para as mulheres. "As decisões e votos brilhantes dos ministros vão garantir uma transformação e revolução no enfrentamento à violência contra a mulher no Brasil e no mundo", comemora.


"As decisões de hoje representam um marco importante no processo de construção e consolidação da agenda dos direitos humanos em nosso país. Breve veremos as conseqüências positivas do julgamento hoje proferido", disse o ministro Celso de Melo.



O relator da Lei Maria da Penha no STF, ministro Marco Aurélio, foi o primeiro a abrir a votação e declarou o primeiro voto pela constitucionalidade dos art. 1, 33 e 41 da Lei Maria da Penha. Os outros dez ministros seguiram o entendimento do relator.



O ministro Marco Aurélio usou como argumento que a Lei Maria da Penha veio concretizar o art. 246 da Constituição Federal, que deu Proteção Especial à Família, e previu a criação de mecanismo para coibir a violência doméstica e familiar no âmbito de suas relações.



Marco Aurélio uso a máxima de Rui Barbosa: "Tratar com igualdade os desiguais na medida da sua desigualdade".



FREAR A VIOLÊNCIA - O ministro justificou ainda seu voto, afirmando que é preciso promover um avanço social e cultural para frear a violência doméstica e para diminuir as vergonhosas estatísticas que são apresentadas todos os anos. "A mulher é vulnerável quando se sujeita a afeição afetiva e também é subjugada pela diferença na força física", avaliou.



"A Lei Maria da Penha retirou da clandestinidade as milhares de mulheres agredidas", finalizou.



Assessoria de Comunicação SPM/PR

Eleonora Menicucci de Oliveira, nova ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres

(Agência Patrícia Galvão)

, cultiva a imagem de pesquisadora feminista com visão política independente, uma vez que é filiada ao Partido dos Trabalhadores, mas não participa do dia-a-dia do partido.

Mineira da cidade de Lavras, nascida em 21 de agosto de 1944, é divorciada e tem dois filhos - Maria, de 42 anos, e Gustavo, com 37 - e três netos, Stella, João e Gregório.

Na juventude, interessa-se pelo ideário socialista e inicia sua participação em organizações de esquerda após o golpe militar de 64. Passou quase três anos na cadeia em São Paulo, de 1971 a 1973.

Ao sair da prisão, reorganiza sua via em João Pessoa, na Paraíba, onde inicia sua carreira docente na Universidade Federal da Paraíba. É nesse período que a militância feminista e a paixão pela pesquisa sobre as condições de vida das mulheres brasileiras ganham relevo na sua trajetória acadêmica e política.

Eleonora Menicucci de Oliveira é feminista de primeira hora, da chamada "segunda onda do feminismo brasileiro", que acontece a partir de 1975.

Como pesquisadora e professora titular da Universidade Federal de São Paulo, publica regularmente artigos e estudos sobre temas críticos da condição das mulheres nos campos da saúde, violência e trabalho.

Breve curriculum da nova ministra
Eleonora Menicucci de Oliveira
Professora Titular em Saúde Coletiva no Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Atualmente é Pró-Reitora de Extensão da Unifesp.

Possui graduação em Ciências Sociais pela Universidade Federal de Minas Gerais (1974), mestrado em Sociologia pela Universidade Federal da Paraíba (1983), doutorado em Ciência Política pela Universidade de São Paulo (1990), pós-doutorado em Saúde e Trabalho das Mulheres pela Facultá de Medicina della Universitá Degli Studi Di Milano (1994/1995) e livre docência em Saúde Coletiva pela Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (1996).

Experiência acadêmica e docente nas áreas de Sociologia e Saúde Coletiva, com ênfase em Sociologia da Saúde, atuando principalmente nos seguintes campos de pesquisa: saúde e relações de gênero; violência de gênero e saúde; mulher trabalhadora e saúde; saúde reprodutiva e direitos sexuais.

Sua trajetória acadêmica é marcada por participações em conselhos e comissões e por consultorias em políticas públicas e direitos das mulheres.

Atividades relevantes na sociedade civil

2006 a 2011 – Membro do Grupo de Trabalho de Gênero da Abrasco (Associação Brasileira de Pós-Graduação em Saúde Coletiva), criado em 1995 com a finalidade de contribuir com o ensino e a produção do conhecimento sobre os impactos das desigualdades sociais entre homens e mulheres na saúde.

2008 até o momento – Membro do Grupo de Estudos sobre Aborto (GEA), da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC).

2003 a 2007 – Assessora especial da Secretaria Nacional da Mulher Trabalhadora da CUT (Central Única dos Trabalhadores).

2002 a 2004 – Relatora para os Direitos à Saúde Sexual e Reprodutiva da Plataforma Dhesca Brasil. A Plataforma Dhesca surgiu como um capítulo da Plataforma Interamericana de Direitos Humanos, Democracia e Desenvolvimento (PIDHDD), que se articula desde os anos 1990 para promover a troca de experiências e a soma de esforços na luta pela implementação dos direitos humanos.

1998 – Cofundadora e coordenadora da Casa de Saúde da Mulher Domingos Delascio da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que atende mulheres vítimas de violência sexual.

1990 a 1994 – Membro do Conselho Nacional de Saúde, vinculado ao Ministério da Saúde, instância máxima de deliberação do Sistema Único de Saúde (SUS), representando a Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos.

1990 a 1994 – Membro da Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (CISMU) vinculada ao Conselho Nacional de Saúde, para formulação, monitoramento e controle das políticas públicas da saúde integral da mulher.

1991 – Cofundadora da Rede Nacional Feminista de Saúde e Direitos Reprodutivos e Sexuais.

1984 a 1986 – Membro e coordenadora do Grupo de Trabalho de Gênero da ANPOCS (Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Ciências Sociais).

1983 – Membro do Grupo de trabalho que assessorou a Comissão Especial convocada pelo Ministério da Saúde (MS) para a redação do Programa de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PAISM). O grupo foi constituído pela médica Ana Maria Costa, da equipe do MS; Maria da Graça Ohana, socióloga da Divisão Nacional de Saúde Materno-Infantil (DINSAMI); Aníbal Faúndes e Osvaldo Grassioto, ginecologistas e professores do Departamento de Tocoginecologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), indicados pelo dr. José Aristodemo Pinotti, chefe daquele departamento.

Décadas de 1980 e 1990 – Assessora especial da Comissão Nacional de Mulheres da Central Única dos Trabalhadores (CUT).

1983 – Membro da 1ª Secretaria Nacional de Mulheres do Partido dos Trabalhadores.


Participação no Conselho Nacional dos Direitos da Mulher

1- Nas gestões de Ruth Escobar (1985/1986), Jacqueline Pitanguy (1986/1989) e Rosiska Darci de Oliveira (1995/1999), contribuiu como consultora técnica para as áreas de saúde integral da mulher e violência de gênero.

2- Na gestão Jacqueline Pitanguy (1986/1989), foi membro da 1ª Conferência da Saúde e Direitos da Mulher.

3- Na gestão de Nilcéa Freire (2004/2011), foi membro do Grupo Técnico de elaboração dos Editais para Pesquisas de Gênero, em conjunto com o CNPq.

Alguns artigos publicados

Ambiguidades e contradições no atendimento de mulheres que sofrem violência.Oliveira, E. M.; Amaral, L. V. C.; Vilella, Wilza Vieira; Lima, L. F. P.; Paquier, D. C.; Vieira, T. F.; Vieira, M. L. In Saúde e Sociedade (USP. Impresso), v. 20, p. 113-123, 2011.

Atendimento às mulheres vítimas de violência sexual: um estudo qualitativo, Oliveira, Eleonora Menicucci de; Barbosa, Rosana Machin ; Moura, Alexandre Aníbal Valverde M. de; von Kossel, Karen; Morelli, Karina; Botelho, Luciane Francisca Fernandes; Stoianov, Maristela. In Revista de Saúde Pública / Journal of Public Health, São Paulo, v. 39, n. 3, p. 376-382, 2005.

Reestruturação produtiva e saúde no setor metalúrgico: a percepção das trabalhadoras. Oliveira, E. M. In Sociedade e Estado, v. 21, p. 169-198, 2006.

Iriny Lopes participa do Fórum Social Mundial 2012


Data: 24/01/2012

A ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM), Iriny Lopes, participa nesta quarta-feira, 25, da edição de 2012 do Fórum Social Mundial (FSM), que acontece em Porto Alegre, Canoas, São Leopoldo e Novo Hamburgo, no Rio Grande do Sul, de 24 até o dia 29 de janeiro.

A ministra falará no “Espaço Mulher” destinado a debates intitulados ‘Democracia, Participação e Objetivos de Desenvolvimento do Milênio’. Na atividade, Iriny abordará as Políticas para as Mulheres realizadas pelo governo federal e as prioridades para 2012.

900 ATIVIDADES – Além de Iriny Lopes, participam a ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Maria do Rosário, a secretária Estadual da Mulher do Rio Grande do Sul, Márcia Santana, parlamentares estaduais e municipais, gestoras dos Organismos de Políticas para as Mulheres das prefeituras do Rio Grande do Sul, representantes de Movimentos Populares de Mulheres e do Conselho Estadual da Mulher.

O Fórum Social Temático promove cerca de 900 atividades, entre palestras, oficinas, seminários, shows e apresentações artísticas, todas com o tema ‘Crise Capitalista – Justiça Social e Ambiental’.

Comunicação Social

Pereirão ergue prédios em Minas - De macacão e capacete, Ângela de Almeida é o retrato das conquistas das mulheres na construção civil da Grande BH

ESTADO DE MINAS - MG | ECONOMIA
AUTONOMIA FEMININA

Frederico Bottrel

Publicação: 23/01/2012 04:00


De pedreira a proprietária de empresa de recrutamento e treinamento: Ângela tem orgulho do que faz


Altivez para quem tem 1,55m de altura é característica de se espantar. Mas é a melhor palavra para descrever Ângela Maria de Almeida entrando em uma obra. Pisa duro, acena para a rapaziada e segue em frente - na construção e na carreira. Muito antes de Lília Cabral estampar sua figura como protagonista da novela das 21h da Rede Globo, ela já saía de casa trajando macacão e capacete e ouvindo piadinhas de vizinhos e colegas de profissão - a massacrante maioria deles homens, é claro. De pedreira, passou a proprietária de empresa para recrutamento e treinamento de 250 operários da construção pesada - além das 90 operárias, como ela. Isso tudo enquanto a geração de empregos no setor crescia 139,34% no Brasil, segundo os dados mais recentes do setor, entre 2004 e 2010.


Ângela não ganhou a mesma loteria que sua colega da ficção, mas de carona no boom da construção tornou-se espécie de "Pereirão" remodelada - em vez de se dedicar a reparos domésticos como a personagem de Lília Cabral, ergue prédios e casas em Belo Horizonte e Caeté, na região metropolitana. E apoia a inserção de mais representantes do sexo feminino nesse mercado, defendendo que "mulher é mais caprichosa e entrega tudo limpinho, dá um banho nos homens". A metáfora do apreço pelo trabalho, que, ninguém duvida, é chave para o sucesso, não poderia ser mais maternal: "Um prédio é igual um filho: você vai cuidando, dando forma, e quando vê já cresceu e ficou lindo".


E quando vê um dos filhos de 26 andares no Seis Pistas, região nobre entre Belo Horizonte e Nova Lima, é com orgulho que aponta o dedo, unhas feitas e abre o sorrisão: "Fui eu que fiz". A aproximação entre as mulheres e a construção se traduz nos números do setor que indicam o aumento da participação feminina nos canteiros de obras. Os números mais recentes do Sindicato da Construção Civil de Minas (Sinduscon-MG) mostram que a participação das moças que usam capacetes entre os funcionários dos empreendimentos avançou 8,59% em 2010, contra os 7,55% de 2000 na Grande BH.


No concreto, a realidade foi respeitosa em toda a trajetória de inserção dessa mulherada, segundo Ângela. Ela diz que manda em quem for, sem problema, corrige, fala que o procedimento está errado e manda consertar. "Os homens acham é engraçado ver as mulheres chegando para trabalhar. Dá uma melhorada no astral, eu acho", palpita. Colega dela, o operário Nelson Rocha Macedo tem opinião parecida: "As mulheres hoje em dia têm mais inteligência que os homens para a construção. Tem homem dentro de casa dormindo e mulher trabalhando".


Foi uma das operárias treinadas por Ângela, inclusive, que procurou o Estado de Minas para contar que Caeté tem seu próprio Pereirão. "Como entrar para a construção mudou a vida de muitas mulheres por aqui, achamos que ela merecia uma homenagem", diz Maria José dos Santos, de 35 anos, que deixou de ser empregada doméstica e virou pedreira há três anos, quando leu um anúncio no jornal, avisando que Ângela procurava homens e mulheres para encarar o batente na construção civil. Maria aprendeu a fazer de chapisco a embolso (tipos de revestimento) e hoje comemora a mudança: "É um serviço mais respeitado e valorizado e nunca falta trabalho".


Em três anos, a firma de Ângela, a AIV, cresceu 70%, recrutou pessoal para trabalhar em 12 torres em áreas nobres da capital e ergueu mais de 400 casas do programa Minha casa, minha vida. Recrutou funcionários de Barão de Cocais, Catas Altas, Pernambuco, Paraíba e São Paulo. A próxima fronteira é o Mineirão, além de outros quatro projetos previstos para se iniciar ainda este ano.


Segundo Ângela, as diferenças salariais ainda são tabu a derrubar. "Se um homem ganha entre R$ 1.060 e R$ 1.200, cada mulher tira cerca de R$ 860, fazendo o mesmo serviço", destaca. É daí que vem, de acordo com ela, o empenho em mostrar serviço e capacidade de executar tarefas pesadas como preparar massa, fazer o chapisco, rejunte e assentar a cerâmica. No acabamento, Ângela garante, elas arrasam.

Datafolha mostra Dilma com aprovação recorde de 59%

Agência Estado São Paulo, 22


O governo da presidente Dilma Rousseff obteve aprovação recorde no fim do primeiro ano de mandato, de acordo com pesquisa Datafolha publicada ma edição de hoje do jornal Folha de S.Paulo. O levantamento revelou que 59% dos brasileiros consultados consideraram sua gestão ótima ou boa, um crescimento de 10 pontos porcentuais desde a última edição, feita em junho de 2011. Foi o melhor resultado para um presidente em seu primeiro ano de gestão desde a volta das eleições diretas, em 1989. Outros 33% consideraram o governo Dilma regular, 6% o avaliaram como ruim ou péssimo e 2% não responderam.


O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva encerrou o primeiro ano de seu primeiro mandato, em dezembro de 2003, com 42% de aprovação. No segundo mandato, em pesquisa Datafolha feita em novembro de 2007, ficou com 50%. A avaliação do primeiro ano da primeira gestão de Fernando Henrique Cardoso foi considerada ótima ou boa por 41% dos consultados, em dezembro de 1995, e por 16%, em dezembro de 1999, primeiro ano de seu segundo mandato. Levando em conta também o primeiro ano de mandato, Itamar Franco teve 12% de aprovação em dezembro de 1993, e Fernando Collor de Mello, 23% em março de 1991.


A nota média do governo Dilma Rousseff foi de 7,2. A avaliação do governo Dilma melhorou entre homens e mulheres de todas as faixas de renda, idade e escolaridade. A presidente foi aprovada por 62% das mulheres e 56% dos homens; por 61% dos que concluíram até o ensino fundamental, 57% dos com ensino médio e por 59% daqueles com ensino superior. Também consideraram seu governo ótimo ou bom 59% dos que ganham até 5 salários mínimos; 53% dos que ganham mais de 10 salários mínimos; e 61% daqueles com renda entre 5 e 10 salários mínimos, faixa em que houve o maior avanço da pesquisa, de 16 pontos porcentuais desde junho.


Entre as regiões do País, o governo Dilma recebeu a melhor avaliação no Norte e Centro-Oeste, onde 63% dos entrevistados consideraram sua gestão ótima ou boa. No Nordeste, foram 62%; no Sul, 58%; e no Sudeste, 56%.


A pesquisa Datafolha foi feita entre os dias 18 e 19 de janeiro e ouviu 2.575 pessoas. A margem de erro é de dois pontos porcentuais, para mais ou para menos. Os números foram arredondados, pois o Datafolha não trabalha com números decimais.

MPF vai investigar desrespeito aos direitos da mulher no caso da suspeita de estupro no BBB12



Ter, 17 de Janeiro de 2012 22:12
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A- A+ (UOL) A Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão em São Paulo, órgão do Ministério Público Federal (MPF), informou em nota publicada em seu site nesta terça-feira (17) que abriu um procedimento para "apurar divulgação de cena com possível abuso sexual por parte de participante do Big Brother Brasil BBB12, com violação aos princípios constitucionais da Comunicação Social e ofensa aos direitos da mulher".

O MPF não irá investigar a suspeita de crime de estupro, mas sim analisar a maneira como o caso foi apresentado ao público e como a emissora lidou com a questão, observando se houve desrespeito aos direitos da mulher e distorção dos fatos.

Segundo a assessoria de imprensa Procuradoria da República no Estado de S. Paulo, o objetivo é promover um debate em torno da questão da violência contra a mulher.

O próximo passo do MPF é enviar à TV Globo um ofício pedindo explicações sobre o caso, o que pode incluir cópias dos vídeos do programa, do áudio de Monique e Daniel no confessionário e esclarecimentos sobre a cadeia de decisões que levou à expulsão do participante. Quando receber o ofício, a Globo terá um prazo que não deve ultrapassar 20 dias para responder.

A partir da resposta da emissora, o MPF tomará as medidas extra-judiciais ou judiciais necessárias, pedindo, por exemplo, que a Globo exiba, durante as transmissões do "BBB12", um esclarecimento sobre os direitos das mulheres e o que configura violência contra a mulher, de forma semelhante ao que ocorreu no "BBB10", quando o participante Dourado afirmou que "hetero não pega AIDS".

Caso a emissora não responda de acordo com o esperado pelo MPF, pode ser instaurada uma ação civil pública e a justiça decidirá que tipo de sanção ou esclarecimento caberá à Globo.

Em casos extremos, a punição pode chegar à interrupção do sinal da emissora por um determinado período, para a exibição de um comunicado esclarecendo o assunto. Foi o que ocorreu em 2003, quando o "Domingo Legal", do SBT, exibiu uma entrevista com um falso integrante do PCC e o MPF pediu a suspensão do programa.

CPI mista vai investigar violência contra a mulher

Data: 15/12/2011



Janete Pietá: é preciso avaliar se o poder público está sendo omisso no tratamento do tema.
Em sessão do Congresso Nacional realizada nesta quarta-feira, foi instituída a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para investigar situações de violência contra a mulher no Brasil. A CPMI será formada por 11 senadores e 11 deputados e terá 180 dias para apurar denúncias de omissão do poder público quanto à aplicação de instrumentos legais criados para a proteção das mulheres.

A comissão é de iniciativa das senadoras Ana Rita (PT-ES), Lídice da Mata (PSB-BA), Lúcia Vânia (PSDB-GO) e Marta Suplicy (PT-SP) e das deputadas Célia Rocha (PTB-AL), Elcione Barbalho (PMDB-PA), Janete Pietá (PT-SP) e Jô Moraes (PCdoB-MG) com o apoio de outros 45 parlamentares. As autoras lembram que a Lei Maria da Penha (Lei 11.340/2006) impôs mais rigor na punição de agressores e definiu mecanismos de proteção às mulheres.

Elas argumentam, no entanto, que ainda persiste no País negligência e desinteresse das autoridades na aplicação da lei e citam diversos casos que evidenciariam a omissão dos agentes públicos.

Partidos e blocos devem concluir nos próximos dias a indicação dos integrantes do novo colegiado, para que a CPMI possa então ser instalada.

Legislação moderna
Entre outros problemas, a CPMI deve apurar por que o Brasil, apesar de dispor de uma das legislações mais modernas do mundo - a Lei Maria da Penha (11.340/06) -, ainda ocupa a 12ª posição em número de homicídios contra as mulheres em um ranking de 73 países.

De acordo com a coordenadora da bancada feminina na Câmara, deputada Janete Pietá, é preciso avaliar se o poder público está sendo omisso no tratamento do tema.

Políticas públicas
Além de apurar os casos de violência e omissão no atendimento à mulher, a CPMI também deverá sugerir políticas públicas. A senadora Ana Rita explica que a comissão vai propor alternativas para melhorar atendimento e tornar mais efetivas as ações preventivas. Ela acredita que a CPMI pode se tornar um espaço de articulação das entidades que atuam no combate à violência contra a mulher.

A consultora Ana Cláudia Pereira, do Centro Feminista de Estudos e Assessoria (Cfemea), adverte que a Lei Maria da Penha ainda enfrenta resistências nos três poderes. No Legislativo, segundo ela, há a apresentação de projetos para diminuir o alcance da lei e, no Judiciário, o obstáculo à aplicação das normas é o conservadorismo de magistrados.

No Executivo, nos níveis federal, estadual e municipal, ela aponta a falta de repasses orçamentários como o principal problema. “A lei requer uma série de políticas públicas para ser implementada, como casas-abrigo e assistência jurídica. E isso não vem ocorrendo".

Da Redação/ RCA
Com informações da Agência Senado

Artigo sobre o BBB* – Luís Fernando Veríssimo



Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço. [...] Chega a ser difícil encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.
[...] Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo. Eu gostaria de perguntar se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.
Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis? São esses nossos exemplos de heróis?
Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros, profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores) , carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor e quase sempre são mal remunerados.
Heróis são milhares de brasileiros que sequer tem um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir, e conseguem sobreviver a isso todo santo dia.
Heróis são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.
Heróis são inúmeras pessoas, entidades sociais e beneficentes, ONGs, voluntários, igrejas e hospitais que se dedicam ao cuidado de carentes, doentes e necessitados (vamos lembrar de nossa eterna heroína Zilda Arns).
Heróis são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada meses atrás pela própria Rede Globo.
O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral. São apenas pessoas que se prestam a comer, beber, tomar sol, fofocar, dormir e agir estupidamente para que, ao final do programa, o “escolhido” receba um milhão e meio de reais. E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!
Veja o que está por de tra$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.
Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social, moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros? (Poderia ser feito mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores). Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.
Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir. Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construído nossa sociedade.

Obs.: BBB* - Big Brother Brasil

( Luís Fernando Veríssimo )

SPM divulga as resoluções da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres



Garantir e ampliar os direitos das trabalhadoras domésticas, com especial ênfase na equiparação de direitos com as/os demais trabalhadoras/es; criar e ampliar programas de qualificação, capacitação e formação de mulheres para o mercado de trabalho, rural e urbano; reduzir a jornada de trabalho para 40 horas semanais, sem redução salarial; ampliar a licença maternidade para 180 dias a todas as trabalhadoras; e garantir o direito ao trabalho no campo e na cidade, promovendo medidas e ações específicas para a igualdade entre mulheres e homens, consolidando a política de valorização do salário mínimo e implementando ações para a igualdade salarial entre gêneros. As resoluções foram aprovadas na 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres, realizada de 12 a 15 deste mês, em Brasília.


O documento é fruto de intensos debates sobre políticas públicas, durante os quatro dias de evento, cujo tema central foi Autonomia e Igualdade para as Mulheres.

No aspecto autonomia econômica e social, ainda, é ressaltada a necessidade de garantir a capacitação para absorção da força de trabalho feminina em ocupações que não sejam somente as tradicionalmente consideradas “femininas”, em grandes eventos e obras, como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, por exemplo.

AVALIAÇÃO - “A 3ª Conferência nos trouxe condições de dar mais consistência às ações aprovadas, criando meios de implementação por parte dos governos, e a transparência permitirá a fiscalização por parte da sociedade”, afirma a ministra Iriny Lopes.

Para ela, as 2.500 delegadas, coerentes com as demandas das mulheres brasileiras e a determinação da presidenta Dilma de combate à pobreza e à miséria, hierarquizaram resoluções e ações que possibilitam condições de avançar na autonomia econômica e financeira das mulheres.

“Foi uma conferência positiva e afirmativa da agenda feminista, e reforçou a Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM)”, resume a ministra.

MUNDO DO TRABALHO - Cerca de 2.500 mulheres de todo o País, entre delegadas e convidadas, participaram da conferência, unindo forças para a consolidação das políticas para as trabalhadoras. O que, para elas, só é possível através do fortalecimento da autonomia financeira, social e cultural da mulher, combatendo todas as formas de discriminação, promovendo relações mais igualitárias no mercado de trabalho, priorizando processos seletivos internos transparentes e democráticos.

Ainda no que diz respeito a trabalho, a ideia é fomentar a participação de mulheres jovens e jovens negras, indígenas e da floresta, quilombolas, com deficiência, lésbicas, ciganas e assentadas no mercado, garantindo e fiscalizando a aplicabilidade da lei que oferece às mulheres adolescentes o primeiro emprego como aprendiz.

Da mesma forma, fortalecer organizações produtivas de mulheres rurais, pescadoras, ribeirinhas, extrativistas, levando em conta as especificidades, garantindo o acesso ao crédito, à assistência técnica, bem como o apoio à comercialização e agricultura familiar.

Em relação a comunidades indígenas, especificamente, a proposta aprovada na conferência defende a demarcação e desintrusão de terras indígenas e a titulação das comunidades remanescentes de quilombos, garantindo o acesso ao crédito fundiário, à assistência técnica e agroindustrialização de base familiar.

OUTRAS ÁREAS - Num plano mais geral, ampliar a construção e o financiamento de creches e pré-escolas públicas, nos meios urbano e rural, priorizando a educação de qualidade em tempo integral, e o transporte escolar gratuito. Tão importante como promover, ao mesmo tempo, uma cultura de compartilhamento do trabalho doméstico entre mulheres e homens, como a realização de campanhas, a ampliação de licença paternidade e o debate sobre licença parental.

E, em relação à autonomia pessoal, o documento destaca a necessidade de ampliar, aperfeiçoar e monitorar a Rede de Atendimento às Mulheres em situação de violência, dando visibilidade, articulando atores estaduais, municipais e federais, garantindo, assim, a inclusão de programas, serviços e ações nos ciclos orçamentários e a efetiva implementação da Lei Maria da Penha e demais normas jurídicas nacionais e internacionais que respeitem os direitos humanos das mulheres e uma vida digna e sem violência.

Comunicação Social

Haiti - Violência contra mulheres em campos de desabrigados

Haiti
Violência contra mulheres em campos de desabrigados

Após o terremoto que assolou o Haiti e toda demagogia internacional a respeito da ajuda humanitária, a população haitiana continua sofrendo com o abandono e a violência. A esta estão submetidas principalmente as mulheres nos campos de desabrigados

13 de junho de 2010


Um documento apresentado pela Anistia Internacional revela a violência sexual sofrida por mulheres que ficaram desabrigadas e vivem atualmente nos campos que abrigam milhares de pessoas em ambientes comuns.

“Desde o terremoto, vivo em um campo improvisado em Porto Príncipe, em um dos 1.300 campos nos quais mais de um milhão de pessoas desabrigadas lutam para sobreviver” (as informações são da Adital, em 2/6/2010).

Celine, uma menina de oito anos, foi violentada quando se encontrava sozinha em sua tenda. Sua mãe havia saído para trabalhar no campo.

Carline, de 21 anos, foi violentada por três homens quando foi urinar em uma zona isolada do campo, uma vez que as latrinas estavam muito sujas para serem utilizadas.

Fabienne, de 15 anos, foi violentada quando saiu do campo para urinar, pois não existem latrinas no campo. A mãe de Fabienne denunciou o estupro a um membro da autoridade administrativa local, porém essa pessoa não ajudou em nada, tampouco deu qualquer orientação.

A maioria dos casos de violência não é relatada ou denunciada. Inclusive porque os responsáveis pela violência são do convívio das vítimas, sejam como membro da comunidade, ou mesmo autoridades, militares ou civis que estariam no país para ajudar na “missão de paz”.

Por medo de vingança do agressor, por não terem garantida sua segurança, nem para onde ir, as mulheres silenciam sobre a violência, o que tem perpetuado ainda mais a sua prática.

Nos locais onde as pessoas estão obrigadas a viver, por causa da destruição completa de suas casas, não há iluminação adequada, nem privacidade, as instalações sanitárias são insuficientes e sem qualquer cuidado, o que aumenta a vulnerabilidade das mulheres e das meninas não apenas para o problema da violência sexual como os riscos para sua saúde, especialmente das gestantes ou parturientes.

Meses após o terremoto, que aconteceu em janeiro desse ano, o Haiti continua sem qualquer estrutura. A repressão contra a população é a principal ação dos agentes estrangeiros instalados no País, que mesmo interessados nos lucros da reconstrução não realizaram nenhuma obra estrutural que garanta o retorno à vida normal da população, que mesmo antes do terremoto já era marcada pela miséria extrema e exploração imperialista.






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Senadora Ana Rita comemora sucesso da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres

21/12/ 2011


Foto: http://pagina13.org.br

A realização da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres foi registrada no plenário do Senado Federal nesta terça-feira, 20, pela senadora Ana Rita (PT-ES), que parabenizou as cerca de 2.500 mil mulheres que participaram do evento, realizado na semana passada em Brasília. A senadora afirmou que, durante os quatro dias de evento, os intensos debates sobre políticas públicas para as mulheres foram importantes para a construção de uma igualdade de gênero no país.

Entre os temas discutidos na conferência, a senadora destacou o fortalecimento da autonomia financeira, social e cultural da mulher, a erradicação da extrema pobreza, a construção de mais creches e a consolidação da cidadania feminina. Dois pontos, porém, tiveram maior repercussão: a adoção de medidas que garantam a autonomia financeira das mulheres, como capacitação profissional, e a ampliação da licença maternidade de quatro meses para seis meses.

MATERNIDADE – Ana Rita lembrou que a licença maternidade de seis meses já é obrigatória na administração pública, mas optativa na iniciativa privada. Uma das resoluções da conferência foi exatamente a de lutar pela ampliação obrigatória da licença. Outra foi a mobilização pelo combate à violência.

A reforma política também foi tema de discussão na conferência. Segundo a senadora, as mulheres apoiaram a reforma, sendo favoráveis a mudanças na legislação eleitoral brasileira, com lista proporcional, fechada e pré-ordenada, e paridade de candidaturas. Ana Rita citou a ex-presidente do Chile e atual diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet, para quem só com mais mulheres no poder se poderia falar em democracia verdadeira.

“Foram muitas e importantes as resoluções aprovadas na conferência. Elas estão em fase de compilação e, quando prontas, serão encaminhadas a órgãos federais, estaduais e municipais”, disse a senadora, acrescentando que o documento trará todos os temas debatidos e aprovados pelas mais de 2.500 mulheres de todos os estados do país.

A senadora lembrou que cerca de 200 mil mulheres de todo o Brasil participaram da mobilização para a conferência em 2.160 municípios brasileiros.

Comunicação Social

Uma Conferencia Eficiente


sábado 17 de dezembro de 2011, por Terezinha Vicente

Uma conferencia eficiente, do ponto de vista da aferição das demandas históricas das mulheres. Com foco principal na autonomia econômica e financeira da mulher, coerente com a estratégia adotada pelo governo Dilma, a plenária colocou as principais polêmicas e disputas em outros temas.

Acontecem coisas muito diversas numa conferencia de mulheres, onde estão reunidas cerca de 3 mil delas (2.781 delegadas, mais 200 convidadas e as trabalhadoras do evento), vindas de um processo que envolveu em todo o país cerca de 200 mil mulheres. Elas se (re)encontram e comemoram, abraçam-se, dançam, cantam, batucam, fazem rodinhas de conversa, cirandas, recolhem assinaturas para as moções, compram, emocionam-se. Tudo isso, além da programação propriamente dita, plenárias, mesas redondas, conferencias, shows. Uma explosão de criatividade.
A 3ª Conferencia de Políticas para as Mulheres, a primeira sob o governo Dilma, realizou-se sob uma tensão permanente, como disse a Ministra Iriny Lopes. Forte boataria, com a ajuda da grande mídia nacional, criou a principal tensão vivida nas semanas que antecederam esta conferência: a notícia de que as Secretarias Nacionais da Mulher e da Igualdade Racial seriam extintas. A presidenta Dilma fez questão de reafirmar a importância de sua existência e de comprometer-se com a sua manutenção em seu governo. "Diferente do que vem se falando, a secretaria não será extinta. Ela é fundamental como instrumento de governo para que a gente continue avançando na luta pela igualdade de gêneros", defendeu a presidenta.

Outras tensões estiveram no ar o tempo todo, algumas geradas pela metodologia do encontro, outras por falhas e violências na prestação de serviços, outras criadas pelas próprias participantes da conferência. Estas últimas, as tensões internas, são as mesmas colocadas pela luta de classes no dia a dia, pois todos os segmentos sociais estão representados numa conferência, que pretende ser instrumento de democracia participativa para aferir demandas de todas as tribos. Preconceitos e discriminações "aparecem" no convívio, valores e modos de vida diferente se revelam, e às vezes surpreendem, práticas distantes dos discursos feministas mostram as contradições do nosso caminhar.

Foi a participação política, a cumplicidade de gênero, a vivência da solidariedade, da visão coletiva, amorosa e igualitária a formar tantas feministas, valores que conduziram e ampliaram o movimento de mulheres no Brasil, conquistando espaços e políticas. Entretanto, o individualismo e a violência, propagandeados cotidianamente pelos meios de comunicação e por outras instituições, também contaminam as mulheres. Apareceram em várias situações, revelando o quanto a conscientização para o coletivo está distante da maioria da população. Aparecem também as mulheres guerreiras da vida inteira, lutadoras por justiça e liberdade em seus locais, e nunca notícia na mídia. O aprendizado intensivo foi permanente nesta conferência , pela programação extensa para tão poucas horas, pelas manifestações organizadas por segmentos da nossa diversidade.

Enfrentamento ao racismo e à lesbofobia

A mudança de metodologia, priorizando o debate da autonomia econômica e financeira da mulher (todos os grupos no primeiro dia discutiram este tema), deixou apreensivas as mulheres que tem no eixo 9 do segundo PNPM (Plano Nacional de Políticas para as Mulheres) - Enfrentamento do racismo, sexismo e lesbofobia -, sua prioridade. A orientação dada foi de que todos os grupos incorporassem na sua discussão as dimensões de raça e etnia, orientação sexual e geracional e houve o painel 2, com lideranças representativas das lésbicas, indígenas e negras, mas não foi considerado suficiente na compreensão de todas as mulheres desses grupos. As mulheres com deficiência, não citadas formalmente nos eixos, nem colocadas nas mesas, unidas a estas, exigiam ter os segmentos incluidos no texto de cada proposta. Propostas para citar também indígenas, quilombolas, povos da floresta, populações ribeirinhas, do campo e da cidade... etc. Ainda bem que na plenária final, a resolução proposta pela metodologia tinha no início do texto esses princípios, nas "resoluções de caráter geral", ratificando a importância do eixo 9 e reconhecendo "a insuficiência da estratégia da transversalidade".

A superação dos problemas enfrentados foi uma constante, a SPM agiu rapidamente em todos, mas só foi dado conhecimento para aqueles cujo inconformismo com as situações levou a denúncias e manifestações em plenária. Quase ao final do evento, a Ministra Iriny veio ao microfone para esclarecer as medidas tomadas frente a denúncias de racismo, que teria sido praticado por funcionários da empresa prestadora de serviços. As mulheres negras da plenária foram mobilizadas a ir na frente, encabeçadas pela mãe de Santo Rita de Cássia Maciel, de Minas Gerais, que disse ter acontecido aqui os tipos de agressão recorrentes contra o povo "de terreiro", e que uma delas teria sofrido inclusive violência física.

"Dialogamos com a empresa", disse a Ministra Iriny, "no sentido de reafirmar que não toleramos e não convivemos com o racismo na sociedade, não conviveremos com o racismo na Conferência". As medidas adotadas foram procurar a Ouvidoria da SEPPIR, pelas denunciantes, e abrir Boletim de Ocorrência. A SPM colocou também sua Ouvidoria para acompanhar a questão. "Isso é natural para nós", falou Iriny, "é para isso que as ouvidorias foram constituídas, elas são uma conquista". Vários outros problemas aconteceram na "conferencia, que está sob tensão desde o seu início", segundo a Ministra, alguns dos quais obrigaram a SPM a se explicar e pedir desculpas. "Não houve omissão em nenhum deles, não perdemos a capacidade de dialogar e não compactuamos com o constrangimento a ninguém!"

"hotel de luxo, nao quero não

a gente faz ocupação"

No credenciamento, teve início a maior tensão de todas. Começou porque algumas delegações foram hospedadas em hotéis próximos ao Centro de Convenções Ulysses Guimarães, onde se realizou o evento, e outras estavam em hotéis mais simples e distantes ou alojamentos coletivos. Inclusive as maiores delegações, SP, MG, RS e RJ, cerca de 900 participantes, foram destinadas ao Centro de Formação da CNTI (Conf.Nacional dos Trabalhadores na Indústria), situada em Luziânia (GO). Depois que resolvemos ir, parte de outras delegações - ES, BA, AM, e avulsas - decidiram ocupar os lugares deixados.


Ninguém gostou da distância, mas os segmentos das "barbies/peruas" das delegações, como também o dos partidos de oposição ao governo, sobretudo o paulista (claro!) começaram a espalhar o terrorismo, dizendo que o local era perigoso, que não se poderia deixar o computador, que havia lama e bichos. A reação das militantes - acostumadas a improvisar alojamento nas lutas - foi imediata, a criação de palavras de ordem tentava abafar o alarido das revoltadas, que ameaçaram ir à justiça, retirar-se da conferência, não poupando nem a Presidenta Dilma, na única conferência deste ano em que fez presença.

"hotel de luxo é prá turista

a nossa causa é feminista!"

Aconteceu, segundo as explicações da SPM, que a empresa vencedora da licitação para a organização física da conferência, abandonou o trabalho dias antes da sua realização, derrubando os hotéis que haviam sido reservados, e hotéis continuavam a ser buscados pela equipe do governo até a noite de abertura da conferência, com pouco sucesso. Partes de algumas delegações, sobretudo as representantes governamentais, como as de SP, dirigentes de partidos e organizações sindicais, saíram em busca de melhor hospedagem, utilizando recursos que a maioria não tem.

Assim, a CNTI acabou hospedando apenas 600 mulheres, sendo que a maior delegação, a paulista (344), foi a que menos ocupou os quartos na sede para trabalhadores. Em compensação, foi agradável a surpresa quando encontramos um lugar muito bom, com uma estrutura de clube de campo, quartos confortáveis, bom café da manhã. E a convivência entre as mulheres, que rendeu até uma baita festa, com churrasco organizado pelas gaúchas, que botou muitas prá dançar na noite de quarta-feira, véspera do último dia da conferência. O preconceito contra a classe trabalhadora, seus espaços e suas causas, começava a manifestar-se ali.

Contra a hipocrisia, pela legalização do aborto

Entretanto, o tema de maior disputa na plenária foi - uma vez mais - a legalização do aborto, questão central na luta por autonomia para as mulheres. Boa parte das delegadas, inconformada com o "consenso" construído pela relatoria, e o não debate do tema pela plenária, foi mobilizando uma indignação manifestante, que obrigou a mesa a retomar a questão no final dos trabalhos. Embora a formulação das propostas, a junção de tudo o que saiu nos grupos, tenha sido feliz na maioria dos temas, incluindo este, não poderíamos aceitar a proposta sem colocar claramente a reivindicação de "legalização" do direito ao aborto, conquista muito cara das feministas em alguns partidos e movimentos, e necessária para acabar com a hipocrisia reinante, que permite a quem tem boa condição econômica realizar abortos seguros.

Um racha no movimento feminista brasileiro parecia estar prestes a acontecer, enquanto a pauta seguia com outros assuntos. Rodas de discussão paralelas se formavam e cresciam... Ao final das votações das propostas de todos os temas, a mesa acatou os fortes pedidos de voltar ao assunto. Acontece que houve um acordo entre as maiores e tradicionais organizações feministas e componentes da SPM e da relatoria sobre a questão, com base também na moção que circulou a favor da reivindicação. O texto estava muito bom, mas a escolha de não promover o debate e votação pela legalização deixou alguns GTs, que a aprovaram, insatisfeitos, assim como muitas das ativistas que haviam circulado a moção e apostavam na sua aprovação. Católicas pelo Direito de Decidir e a Liga Brasileira de Lésbicas solicitaram que a questão fosse a voto, como ocorreu em outras reivindicações onde havia divergência.

Painel sobre Autonomia

Vera Soares, que participou da relatoria, defendeu a posição pela descriminalização, lembrando o quanto este tema foi polêmico na campanha da presidenta Dilma, e que "construir um texto de consenso foi o caminho escolhido". Naiara Malavolta, da LBL e da MMM do RS, defendeu a legalização; a plenária estava toda ouriçada, boa parte se manifestava perto da mesa. A posição contrária veio lá do fundão calado, defendida por uma delegada que portava aquela figura de um "bebezinho", utilizada há muito tempo pelos fundamentalistas para pregarem contra o direito para todas as mulheres. Ganhamos, e a legalização foi incluída na formulação da proposta que deverá ir para o novo plano de políticas públicas. Foi um dos momentos mais emocionantes da Conferência, pela vitória dos movimentos, que precisavam daquilo.

Cultura e comunicação: estratégicas ou transversais?

GT Educação, cultura e comunicação

Ativistas de outros eixos do plano vigente também se sentiram prejudicadas, sobretudo do 8 - Cultura, Comunicação e Mídia Igualitárias, democráticas e não discriminatórias - ainda que possa também ser trabalhado transversalmente. A politização do tema, a importância da incidência na educação e na formação de valores, a dúvida em relação ao que veicula a radiodifusão comercial (concessões públicas!), o que se entende por cultura, infelizmente, assuntos ainda não popularizados, com necessidade de muita formação. Nesta conjuntura nacional, a luta por um novo marco regulatório das comunicações, que coloque limites na propaganda ideológica permanente a que estamos submetidos dentro de nossas casas, tornou-se estratégica e urgente. O assunto foi tema de uma roda de conversa, a cargo de Rachel Moreno (Observatório da Mulher) e Fátima Jordão (Instituto Patrícia Galvão).

"Tô de olho"...

A autonomia cultural foi o tema 2 do segundo dia de debates, juntando o eixo 8 com o 2 - educação inclusiva, não sexista, não racista e não lesbofóbica. Como sempre acontece nesta junção, a educação acaba ocupando mais tempo nos debates, pois é grande a presença de servidoras na área, como também de educadoras e ativistas. Aliás, aqui existiam alguns educadores (sexo masculino) como delegados. A discussão sobre a dominação cultural exercida, opressora da autonomia e da liberdade, e disseminadora de preconceitos e de doenças de todos os tipos, nunca é feita. O papel da comunicação de massas na difusão dos valores que sustentam a dominação, também não. E é assunto priorizado por poucas mulheres. Rachel Moreno tentou, na plenária, reabrir a discussão, colocando a necessidade das propostas do Eixo 8 e da Plataforma de Beijin no tocante a este tema, terem implementação imediata; também destacou a proposta de introdução nos currículos escolares de leitura crítica da mídia, pois sabia de sua aprovação em alguns grupos. Mas as propostas tiveram aprovação apenas em dois grupos, por isso não foram para debate na plenária. Uma pena.

Outros assuntos importantes, sobretudo para a formação das mulheres, foram temas das rodas de conversa simultâneas: pensar políticas para a pluralidade, historia das desigualdades entre mulheres e homens, as políticas e as diferenças de geração, experiências da gestão pública, orçamento para políticas para as mulheres, um olhar internacional, mulher e participação política. Acontece que elas eram simultâneas também com o horário do almoço!!! E as filas para almoçar, o trânsito difícil entre as mesas, escovar os dentes, levavam mais que uma hora! Fora a exposição e venda de artesanatos e outras coisas interessantes que foi organizado desde os Estados, e nos quais muitas mulheres esperavam encontrar seus presentes de fim de ano. E as filas nos stands dos patrocinadores para receber as lembranças. Além de tudo isso, as organizações nacionais do movimento, de segmentos, apresentações culturais, lançamentos de livros e campanhas, chamavam também para o intervalo do almoço... Uma rica mostra da enorme diversidade que compõe nossas mulheres, mas estressante como uma múltipla jornada de trabalho!
A política e as mulheres

E frustrante quando a gente engole a comida, perde um pedaço de alguma outra coisa para ver aquela conversa que te interessa e, chega lá, foi cancelada! Aconteceu comigo e tantas outras, em relação à roda de conversa "Mulher e Participação Política", com as deputadas Janete Pietá, Benedita da Silva, Luciana Santos e Luiza Erundina, e com as senadoras Lídice da Mata e Ana Rita. Assunto dos mais importantes às vésperas de um ano eleitoral, num país com um dos piores índices de participação política da mulher, mas o Itamaraty convocou as parlamentares - parece que para acompanhar a delegação estrangeira.

O destaque foi Michelle Bachelet, que fez uma conferência muito concorrida no final do segundo dia de debates. Como sempre, homens e instituições aproveitando e usando o tempo das mulheres. Não poderiam ter previsto horários distintos para as duas coisas? A delegação estrangeira, apresentada no encontro com a Secretária Geral Adjunta da ONU e Diretora Executiva da ONU Mulheres, era bem significativa, composta por representantes de organismos de mulheres em seus países, ou representantes de embaixadas no Brasil - Chile, Peru, El Salvador, Uruguai, Venezuela, Timor Leste, Coréia do Sul, Espanha, Grécia, EUA.

Alegria e prazer ao fim e ao cabo


Talvez o período mais emocionante e emocionado de toda a conferência tenha sido o show de Zélia Duncan. Além de ter uma legião de fãs entre as feministas, ela escolheu o repertório a dedo. Cantou Pagu (música feita com Rita Lee), Raul e Cássia Eller, além de suas melhores e conhecidas músicas, que transformaram a plenária num grande coro dançante... No dia seguinte, foi a vez da moçada cair no samba, com o show do grupo de Brasília, SaiaBamba. As Blogueiras Feministas participaram da cobertura da 3ª Conferência, leia os artigos no blog. A Abraço (Associação nacional das rádios comunitárias), instalou no espaço a "Abraço no Ar", realizando seguidas entrevistas e reportagens que podem ser ouvidas no site.

Com tudo, e por tudo, foi realmente uma histórica conferência nacional de mulheres! Cujo resultado é sem dúvida positivo. Com certeza, nas listas de reivindicações estão as demandas mais sentidas pelas mulheres deste Brasil em ebulição, mas a maioria não sabe disto. Para construir as propostas, na prática, em muitas cidades e em alguns dos estados mais importantes, estão mulheres reacionárias, conservadoras, que conquistam espaços doados pelos homens, em governos afinados com os valores da elite racista, machista e capitalista, detentora dos verdadeiros poderes em nosso país.

Precisamos urgente ter liberdade de expressão para todos e todas, ter uma comissão da verdade inteira, superando de vez a opressão da ditadura que fez calar as milhares e diferentes vozes que compõe o nosso povo. Só quando pudermos ouvir com a mesma força, e espaço público correspondente, os milhões de brasileiras e brasileiros ainda hoje sem voz, começaremos a desenvolver nossa democracia. Precisamos concretamente romper com a propaganda ideológica que nos controla, induzindo, a nós e a nossas crianças, ao consumismo, à banalização da violência, do sexo, ao descarte rápido das coisas e das pessoas, ao levar "vantagem em tudo", ao individualismo.

Precisamos cuidar para que a maior participação da mulher, sobretudo na política, cantada atualmente em verso e prosa, na televisão e no carnaval, não seja objeto de mais uma apropriação e deturpação indevida da causa feminista. Queremos apenas transformar o mundo, salvar o planeta e a vida, para que toda a humanidade tenha autonomia e liberdade, desfrute do bem viver e da possibilidade de criar...

Ver online : Veja site e blog da Conferencia

Voltando a ativa!!!

Ola companheiras e companheiros,

Mudancas em minha vida me fizeram dar um tempo no blog.
Mas agora, coisas ajeitadas, estou voltando para as postagens,
escritas e muito mais, para alimentar nossa pagina e fortalecer
a busca por um mundo mais humano, mais igual e com mais direitos
e oportunidades para as mulheres!!!

Saudacoes feministas e ate!

Iriny Lopes: “O que fizemos foi respeitar as solicitações recebidas pela nossa ouvidoria”

por Conceição Oliveira do Blog Maria Frô, twitter: @maria_fro

Uma das críticas mais infundadas por parte de blogs da esquerda e de espectros da direita no caso da ação da Secretaria de Políticas para as Mulheres em relação à peça publicitária da Hope foi a acusação de que o governo estaria ‘censurando’ a ‘liberdade de expressão’. Confusões imensas. Primeiro porque a propaganda não goza de um direito constitucional como se fosse um simples cidadão; segundo porque a publicidade e o marketing estão condicionados a leis específicas em nosso país e, por último, a Ouvidoria da SPM atendeu a inúmeros pedidos de entidades de defesas das mulheres (ela existe pra isso) e encaminhou pedido para o CONAR, pois a SPM não tem poderes de censura.

Voltarei com mais tempo para discutir estas e outras confusões num debate que acho de suma importância e que mais uma vez foi diminuído, ridicularizado e estereotipado pelos ‘modernos’ que acham as feministas um bando de seres sem humor.

Adianto que temos humor quando há graça nas coisas, mas não temos mais tolerância para bobagens, para violências simbólicas e para discursos que recolocam a mulher antes da década de 20 do século passado.

Por enquanto fiquem com a excelente entrevista feita por Matheus Pichonelli com a ministra Iriny Lopes, publicada na Carta Capital.


‘Fui ridicularizada’

Por: Matheus Pichonelli*, na Carta Capital

03/10/2011

A ministra da Secretaria de Política para as Mulheres, Iriny Lopes; Foto: Valter Campanato/ABr

Na semana passada, a ministra Iriny Lopes, da Secretaria de Política para as Mulheres, se tornou a integrante mais falada do primeiro escalão do governo Dilma Rousseff. O motivo, diferentemente dos outros cinco ministros que deixaram suas pastas sob suspeitas, foi uma nota assinada pela secretaria em que pedia a suspensão, ao Conar (Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária), de uma propaganda com a top Gisele Bündchen. Na campanha, promovida pela Hope Lingerie, a modelo ensina as mulheres a dar más notícias aos maridos (como excesso de gastos ou batida de carro) sem risco de serem recriminadas: tirando a roupa.

Foi o suficiente para que movimentos em defesa das mulheres manifestassem repúdio ao conteúdo da propaganda, endossado pela secretaria do governo federal. A “reação à reação”, no entanto, foi ainda mais forte: a ministra foi criticada por supostamente tentar cercear a liberdade de expressão. Para os “críticos da crítica”, faltou bom humor ao governo e às feministas.

Em entrevista a CartaCapital, Iriny Lopes, mineira 55 anos, afirma ter ficado “estupefata” com a politização do debate – que, segundo ela, não respondeu se a propaganda era, afinal, boa ou prejudicial à mulher. Para a ex-deputada, a campanha com a top tinha um recado subliminar desrespeitoso à mulher, que coloca à disposição o próprio corpo para amenizar a ira do companheiro. Na entrevista, a ministra não poupou também o humorista Rafinha Bastos, no centro de polêmica após dizer, no ar, que “comeria” a cantora Wanessa Camargo, que está grávida, e o bebê dela. “O estupro não é piada, é crime”, diz a ministra, para quem brincadeiras desse tipo só reforçam o medo de as mulheres denunciarem agressões – e fazem com que os agressores se sintam seguros da impunidade. Confira abaixo os principais trechos da entrevista.

CartaCapital: O que levou a secretaria a pedir a suspensão da propaganda com a modelo Gisele Bündchen?
Iriny Lopes: Recebemos, através da nossa Ouvidoria, cobranças para que a secretaria tomasse uma posição. A ouvidoria existe para isso, para ouvir a sociedade. Faz parte do processo democrático. Não nos compete julgar o mérito (da suspensão da propaganda), isso compete ao Conar. No nosso juízo havia uma característica sexista na propaganda, de coisificação da mulher. Havia uma ideia de que, para conter a violência do companheiro, era necessária a erotização. De fato, elas devem ser bonitas, lindas, desejadas, assim como eles para elas. Mas não com esse tipo de brincadeira, que perpetua a ideia da mulher-objeto. Nós solicitamos que o Conar se manifestasse. E fomos informados pelo Conar de que outros 11 pedidos semelhantes foram anexados à nossa representação.

CC: O pedido foi interpretado como uma tentativa de censura. O ex-governador José Serra lembrou o episódio para criticar o governo.
IL: Qualquer coisa que a gente faça sempre será politizada. Principalmente num país conservador como o nosso. A questão levantada pela representação não é o que virou o debate. A questão foi tratada de uma maneira conservadora e politizada. E contra um governo que está dando muito certo numa situação desfavorável, que é a situação econômica. Uma mulher dando certo num campo desses incomoda muita gente, por ser uma mulher de esquerda.

CC: Com o pedido de suspensão, a ideia de que o governo tentava censurar a propaganda não ficou justificada?
IL: Foi uma interpretação de conveniência. Duas coisas me deixaram estupefata nessa história. Primeiro, num tema tão importante, o mérito não foi debatido. Queríamos discutir se aquela publicidade, ao fazer uma brincadeira, era boa ou má para as mulheres. Mas o que houve foi uma politização, passaram a imagem de que queríamos a censura, o cerceamento, porque enviamos o tema para um órgão de auto-regulamentação do qual não temos assentos nem voz nem indicamos ninguém. É um órgão com plena autonomia.

CC: Não seria mais indicado uma nota de repúdio, como foi feito à direção da empresa de lingerie?
IL: Não acho que tenha havido prejuízo pelo fato de termos solicitado, com base nos artigos do próprio regimento, a apreciação da suspensão. Isso já foi feito outras vezes. Ganha-se uma vez, perde-se outras. O que fizemos foi respeitar as solicitações recebidas pela nossa ouvidoria. Uma nota de repúdio politizaria muito mais, embora no nosso pedido houvesse uma opinião prévia que balizou nossa sustentação.






A ministra de Políticas para as Mulheres, Iriny Lopes, durante audiência pública na comissão especial sobre o Plano Nacional de Educação. Foto: Renato Araújo/Agência Brasil

CC: A senhora se disse estupefata por dois motivos. Qual o segundo?
IL: Foi o absoluto machismo que ainda está posto dentro da sociedade brasileira. As charges que buscaram me ridicularizar, feitas por quem desconhece o tema em debate, eram tentativas de se retomar aquela ideia que opõe mulheres feias e bonitas, gordas e magras. Quando, na verdade, não há ressentimento algum, e sim uma cultura de igualdade, de contestação ao status quo no qual a mulher é vista como um ser subalterno. Não temos nada contra a propaganda de lingerie ser bem humorada, não temos nada contra isso. Só que a brincadeira foi muito sem graça. Há outras maneiras de ser alegre, ser brincalhão, sem colocar a mulher em posição subalterna.

CC: Na propaganda, a Gisele Bündchen se coloca como uma mulher que põe o corpo à disposição para compensar uma má notícia. Muitos críticos diziam ter medo de que a piada se espalhasse, e que os homens dissessem para suas mulheres e amigas, mesmo que na brincadeira: “ok, você fez bobagem, agora tira o sutiã que fica tudo certo”. É um exagero?
IL: Esse é o perigo. Tudo ali era subliminar. Havia uma mensagem subliminar quando era mostrado um carimbo dizendo que dar o recado com roupa era errado. Qual é a intenção ao mostrar isso? É essa coisa da mulher-objeto, que para manter uma relação precisa de um nível de erotismo. Pode ser uma brincadeira saudável entre casais, mas levamos em consideração essas brincadeiras que perpetuam esse status que queremos superar. Nós trabalhamos muito por igualdade, e esse tipo de coisa não ajuda. Isso influencia na atual e nas próximas gerações. Temos procurado com a mídia manter esse diálogo, para que a propaganda e os programas ajudem a alavancar as conquistas das mulheres. Nossa visão em relação à publicidade não é moralista.

CC: Como a medida tomada pela secretaria, sugerindo a suspensão da propaganda, foi recebida dentro do governo?
IL: Não faltou solidariedade. Nem contra nem a favor. Temos um nível de autonomia dentro do governo.

CC: A senhora conversou com a presidenta Dilma?
IL: Nós, ministros, somos respeitados pela presidenta, não fizemos nada fora da legislação. Não temos nenhum problema. Sabemos exatamente a firmeza com que ela conduz o conjunto do governo. Não tivemos falta de solidariedade.

CC: Na mesma semana em que houve a propaganda da lingerie, muito se falou sobre a piada, feita pelo humorista Rafinha Bastos, com a cantora Wanessa Camargo…
IL: Foi uma falta de respeito absurda e é necessário que haja uma retratação. Ele desrespeitou a mulher e a gravidez de uma mulher. Isso é duplamente complicado. Não sei como a cantora tratou essa questão. É, de novo, a mesma coisa: a mulher como objetivo, como vítima da erotização, e numa situação de gravidez. Não se fala isso para nenhuma mulher. É uma ofensa à criança que ela traz. Ele precisa entender que as mulheres gostam de elogios, assim como eles. Mas não esse tipo de elogio. Foi uma grosseria, uma insensibilidade.

CC: A piada foi feita num programa de humor que tem alta audiência, que se espalha rapidamente pela internet e sites de compartilhamento. De que maneira a secretaria debate essa questão?
IL: Temos discutido um aspecto um pouco mais amplo, porque estamos discutindo com o Ministério da Justiça, o Ministério da Saúde, dos Esportes. Pensamos em campanhas que possam influenciar na postura das pessoas para inibir e constranger esses abusos e falta de responsabilidade, principalmente para o reconhecimento dos direitos das mulheres.

CC: Muitos vão dizer que era só uma piada.
IL: Muitos nos cobram pelo aumento dos casos de estupro e de homicídio, mas precisamos compartilhar responsabilidade. Quando a pessoa que faz um programa massivamente difundido e diz que a mulher feia deve agradecer pelo estupro, isso é um crime, e não uma piada. Se o estupro vira uma piada, então a violência se banaliza. As mulheres não registram o crime porque acham que o caso não vai seguir adiante. Os agressores ficam cada vez mais tranquilos e passam a confiar na impunidade. Muita gente não denuncia porque não quer se expor para os vizinhos, os amigos, os colegas de trabalho, a família, e carrega a dor sozinha. Muitas vezes as pessoas assistem a casos de agressão no recinto familiar e se omite. Não é uma coisa banal.

CC: Muitos viram na reação da secretaria e dos movimentos feministas falta de bom humor. O que se disse foi que houve uma atitude ‘politicamente correta’. Como evitar que o debate caia nessas afirmações?
IL: É preciso insistir na discussão, no debate. Quando for possível, com diálogos diretos para a sensibilização, com seriedade. É importante que se discuta os conteúdos, os níveis de repercussão e de cultura que aquilo vai constituindo. É a insistência de furar bloqueios, de não ficar acuado e usar instrumentos legais quando não for possível o diálogo. É também ampliar as ouvidorias, ter um Ministério Público atuante. Eu convivi sempre com essa questão, sempre foi militante. Na Câmara presidi Comissão de Direitos Humanos, e dirigimos a campanha “Quem financia baixaria é contra a cidadania”. Foi uma reação aos programas, publicidade e publicações que trabalham pejorativamente as questões de raça, gênero, orientação sexual e classe social.

*Matheus Pichonelli: Formado em jornalismo e ciências sociais, é subeditor do site e repórter da revista CartaCapital desde maio de 2011. Escreve sobre política nacional, cinema e sociedade. Foi repórter do jornal Folha de S.Paulo e do portal iG. Em 2005, publicou o livro de contos ‘Diáspora’.

Mulheres do PT-MG pedirão neste sábado expulsão de filiado condenado por estupro

22 de setembro de 2011 às 18:14
por Conceição Lemes

A Secretaria Nacional de Mulheres do PT divulgou ontem, 21 de setembro, nota de repúdio aos diretórios Nacional, estadual de Minas Gerais e municipal de Belo Horizonte, exigindo a expulsão de um filiado do partido condenado por estupro de uma menina de 9 anos de idade. O crime aconteceu em 2004.

Nesta tarde, entrevistei Gláucia Helena de Souza, coordenadora de Políticas para Mulheres da Prefeitura de Contagem, na Grande BH, e secretária da Secretaria Estadual de Mulheres do PT de Minas Gerais (PT-MG).

Viomundo – Desde 2004, o fato é conhecido e em 2010 houve a condenação. Por que o PT de Belo Horizonte não tomou nenhuma medida antes?

Gláucia Helena — Eu confesso que não sei, porque esse caso só chegou a nós, do Estadual, agora. Sou de Contagem e realmente só tomei conhecimento agora, como muita gente.

Conversei hoje com o advogado e a primeira informação que obtive é a de que o Nartagman [Nartgman Wasly Aparecido Borges, secretário de organização do PT-BH] foi condenado em primeira instância em fevereiro de 2010; agora, em segunda instância. Ainda desde maio de 2010 teria sido afastado das suas funções no PT.

Viomundo – Mas a coisa aconteceu tão perto de vocês.

Gláucia Helena – Na verdade, só soube do caso pelos jornais, aí iniciamos a busca de informações. E ontem fui comunicada por meio da Nota de Repúdio da Secretaria Nacional, que me enviou por email.

Viomundo – O que teria feito se soubesse antes?

Gláucia Helena – Teria agido, claro.

Viomundo – E agora?

Gláucia Helena – Neste sábado, 24 de setembro, ocorrerá o encontro estadual de mulheres do PT-MG. Vamos discutir o caso e pedir a expulsão do partido do ex-dirigente, que já está condenado e preso.

Como bem observou a nota da Secretaria Nacional de Mulheres do PT, o Código de Ética do Partido dos Trabalhadores afirma, ainda em seu preâmbulo:

“Toda e qualquer transgressão ética cometida por militantes, dirigentes, parlamentares e governantes petistas deve ser apurada e punida com rigor e transparência pelo próprio Partido. A construção da nossa utopia deve ter a ética como um ponto de partida e um ponto de chegada”.

Aliás, como foi condenado e está preso, automaticamente fica com os direitos políticos cassados e a sua filiação partidária revogada pela própria Justiça Eleitoral.

Viomundo – Mas por que não apuraram antes?

Gláucia Helena – Como já te disse, o caso só chegou a nós, Secretaria Estadual de Mulheres, agora.

Viomundo – O que fará mais?

Gláucia Helena – Nós encaminharemos o pedido de expulsão à Executiva Estadual do Partido, que se reúne na segunda-feira, dia 26, e ao Diretório Municipal de Belo Horizonte, onde o ex-dirigente tem sua filiação.

II Conferência de Políticas para Mulheres de Contagem Durante o evento, foram eleitas 11 delegadas da sociedade civil para participarem da III Conferência Estadual de Políticas

Prefeita Marília Campos discursa durante abertura da II Conferência de Políticas para Mulheres de Contagem



A II Conferência de Política para Mulheres de Contagem, realizada nos dias 9 e 10 de setembro, contou com a participação de mais 100 mulheres que analisaram a realidade municipal em seus aspectos social, econômico, político e cultural e os desafios para a construção da igualdade de gênero. Durante o evento, foram eleitas 11 delegadas da sociedade civil para participarem da III Conferência Estadual de Políticas para Mulheres (prevista para acontecer nos dias 17, 18 e 19 de outubro) junto com mais quatro delegadas representantes do governo municipal.
A prefeita Marília Campos fez a abertura da Conferência e anunciou a formação de um Fórum de Prefeitas de Minas Gerais para discutirem periodicamente a relação de poder e se fortalecerem. "Não é fácil ser mulher e estar à frente do governo de uma das maiores cidades do Estado, pois as cobranças são diferentes. É fundamental que as mulheres se unam e discutam os principais problemas e desafios a serem enfrentados no dia a dia na administração municipal", disse.
Ela também anunciou o convite feito pela Ministra da Secretaria de Mulheres do Governo Dilma, Iriny Lopes, para a coordenadora de Política para Mulheres, Gláucia Helena, a ocupar um cargo no Ministério em Brasília. Para a prefeita este é um reconhecimento do trabalho desenvolvido em Contagem pela Coordenadoria de Politica para Mulheres.
De acordo com a coordenadora de Políticas para as Mulheres, Gláucia Helena, "nestes anos à frente da Coordenadoria, tivemos muitos avanços. Desde a formação da equipe até a dimensão dos projetos articulados. Hoje, temos dois projetos de âmbito internacional, o Consórcio Mulheres das Gerais, cuja proposta de intervenção do Juventude Fazendo Gênero foi premiada como uma das boas práticas nos Objetivos do Milênio (ODM) e o Entre Gêneros - 100 Citta, uma nova educação para as relações de gênero -projeto em parceria com cidades italianas e brasileiras, com foco em formação em gênero e enfrentamento à violência contra mulheres. Deixo a coordenadoria para assumir um cargo no Ministério em Brasília com a sensação do dever cumprido. Com a certeza da continuidade do trabalho e ampliação das ações e do leque de intervenções da política para mulheres", afirmou.
Representações
No primeiro dia da Conferência, estiveram presentes a Delegada de Mulheres, Maria da Conceição Sampaio, o Secretário de Direitos e Cidadania, José de Souza, a representante do IGERE - Grupo de Mulheres Negras - Eulália Corrêa, e a Representante da UBM-Contagem, Diomara Damaso.
Na abertura da Conferência, o tema discutido foi a Igualdade de Gênero e Mais Mulheres no Poder, mediados pela diretora de Diversidade, Inclusão e Ações Afirmativas da Secretaria de Educação, Juliana Diniz, e a superintendente do Consórcio Mulheres das Gerais, Márcia de Cássia Gomes.
No segundo dia, foram apresentados os temas dos grupos em painéis, com conteúdos que se destacaram: Mídias Igualitárias e Educação Não Sexista, Não Racista, Não Homofóbica e Não Lesbofóbica. No período da tarde, foram realizados grupos de trabalho, nos quais os temas foram debatidos e formuladas propostas para intervenções no município, no estado e no governo federal.

II Conferência Municipal de Políticas para Mulheres de Contagem - MG

II Conferência Municipal de Políticas para Mulheres de Contagem - Igualdade de Gênero com mais mulheres no poder!

Agende ai, 01/09 de setembro Plenária de Mulheres na Camara Municipal as 19 horas, para tirar delegadas para a II Conferencia Municipal de Políticas para Mulheres que acontece nos dia 09 e 10 no Sest/Senat - Bairro Amazonas. Dia 09/09 abertura as 18 horas e dia 10/09, de 8 as 18 horas.

Contatos: Coordenadoria de Políticas para Mulheres - (31) 3398.9929 ou 3352.7543 (Espaço Bem-Me-Quero).

Peticao Publica - Reforma Politica com a Participacao das Mulheres - Assine j'a!

http://www.peticaopublica.com.br/?pi=P2011N12528
Este 'e o link para entrarem direto no Abaixo-Assinado que
n'os mulheres dos partidos politicos de Minas Gerais estamos
encaminhando ao Congresso Nacional, para a aprovacao da
Reforma Pol'itica que amplia a participacao das mulheres nos
espacos de decisao politica.
Contamos com voces, neste apoio, neste movimento.
Por um pa'is mais democratico, participativo e inclusivo!

A 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres


A 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres
Convocada pelo Decreto Presidencial de 15 de março de 2011, a 3ª Conferência Nacional de
Políticas para as Mulheres acontecerá em Brasília, de 12 a 14 de dezembro, com o objetivo de
discutir e elaborar políticas públicas voltadas à construção da igualdade, tendo como
perspectiva o fortalecimento da autonomia econômica, cultural e política das mulheres,
contribuindo para a erradicação da extrema pobreza e para o exercício da cidadania das
mulheres no Brasil.
Para a organização, implementação e desenvolvimento das atividades da 3ª CNPM será
constituída uma Comissão Organizadora Nacional, presidida pela titular da SPM e Presidenta
do CNDM e composta por quatro representantes da SPM, duas representantes do Fórum de
Organismos Governamentais de Políticas para as Mulheres (uma representando os organismos
estaduais e outra os organismos municipais) e seis representantes da sociedade civil
integrantes do CNDM, indicadas respectivamente pelo Fórum de Organismos
Governamentais de Políticas para as Mulheres e pelo CNDM.
A 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres ocorrerá em três etapas:
Conferências Municipais e/ou Regionais – de 1º de julho a 31 de agosto.
Conferências Estaduais – de 1º de setembro a 31 de outubro.
Conferência Nacional – de 12 a 14 de dezembro.
No âmbito municipal serão permitidas a realização de Conferências Regionais, que agreguem
mais de um município, municípios próximos ou municípios que já atuem em forma de
consórcio. Da mesma forma, se por algum motivo um município não tem como convocar sua
conferência municipal, as organizações de mulheres desse município podem se articular com
um ou alguns municípios próximos e realizar em conjunto sua conferência.
Conforme definido no Art. 3º. Parágrafo 1º do Regimento da 3ª Conferência Nacional de
Políticas para as Mulheres: “As/os delegadas/os que participarão da etapa nacional serão
eleitas/os na etapa estadual, devendo obrigatoriamente ter participado da etapa municipal e/ou
regional”.
Conferências Temáticas poderão ser realizadas, no período de 1º de julho a 31 de outubro,.
As Conferências Temáticas são livres e poderão ser organizadas em diferentes formatos,
tendo como objetivo contribuir para o debate das demais conferências. Estas conferências
podem ser realizadas em nível municipal e/ou regional, estadual e nacional, e não elegem
delegadas.
As contribuições das Conferências Temáticas poderão ser encaminhadas para as Conferências
Municipais e/ou Regionais, Estaduais ou Nacional.
Princípios orientadores das Conferências
A Política Nacional para as Mulheres aprovada na 1ª CNPM e reafirmada na 2ª CNPM tem
como princípios os abaixo indicados e estes serão orientadores de todo o processo da 3ª
Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres:
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a) Igualdade e respeito à diversidade
b) Eqüidade
c) Autonomia das mulheres
d) Laicidade do estado
e) Universalidade das políticas
f) Justiça social
g) Transparências dos atos públicos
h) Participação e controle social
As partir de suas perspectivas e realidades locais, as mulheres debaterão a criação de
uma plataforma de políticas para as mulheres no âmbito municipal e estadual, à luz dos
seguintes eixos temáticos:
I – análise da realidade brasileira: social, econômica, política, cultural e os desafios para a
construção da igualdade de gênero, na perspectiva do fortalecimento da autonomia
econômica, social, cultural e política das mulheres que contribuam para a erradicação da
pobreza extrema e para o exercício da cidadania pelas mulheres brasileiras;
II – avaliação, atualização e aprimoramento das ações e políticas propostas no II Plano
Nacional de Políticas para as Mulheres, sua execução e impactos; e definição de prioridades
para o próximo período.
Todas as discussões da Conferência deverão incorporar as dimensões de classe, gênero,
étnico racial, geracional e da livre orientação e liberdade sexual da sociedade brasileira.
Você pode acessar a íntegra do Regimento da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as
Mulheres, bem como outras informações já disponíveis, clicando no banner da 3ª Conferência
disponível na página da Secretaria de Políticas para as Mulheres: www.spm.gov.br,
3. AS CONFERÊNCIAS MUNICIPAIS E/OU REGIONAIS DE POLÍTICAS PARA AS
MULHERES NO PROCESSO DE PREPARAÇÃO PARA A 3ª CONFERÊNCIA
NACIONAL DE POLÍTICAS PARA AS MULHERES.
Não podemos pensar a Política Nacional para as Mulheres sem pensarmos as políticas
implementadas nos municípios brasileiros. É por isso que o primeiro passo da Conferência
Nacional é realizarmos as conferências municipais e/ou regionais de políticas para as
mulheres.
Tendo em vista a dificuldade de alguns municípios de organizarem isoladamente sua
conferência municipal é possível os municípios se organizarem no que estamos chamando de
Conferências Regionais, que envolvem mais de um município. Agregando, por exemplo,
municípios próximos.
As Conferências Municipais e/ou Regionais devem ser realizadas no período de 1º de
julho a 31 de agosto.
Essas conferências, para além de discutir as questões do seu Estado e as políticas nacionais,
têm um objetivo próprio: definir uma agenda de prioridades para a implementação das
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políticas para as mulheres no município, como base para a elaboração do Plano
Municipal de Políticas para as Mulheres.
Como indica o Artigo 7º do Regimento da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as
Mulheres:
Art. 7º - O temário proposto para a 3ª CNPM deverá ser discutido desde a etapa
municipal, considerando a realidade local, na perspectiva da definição de uma
plataforma de políticas para as mulheres no seu âmbito, e tendo o como objetivo a
criação e fortalecimento de organismos de políticas públicas para as mulheres.
Como indica o Artigo 9º do Regimento da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as
Mulheres:
Art. 9º - As Conferências Municipais e/ou regionais e as conferencias Estaduais deverão
discutir a proposição de políticas públicas para as mulheres em seus respectivos
âmbitos, tendo em vista o proposto no capítulo III deste regimento, em especial do art.
7º.
§ 1º - As Conferências Municipais deverão aprovar uma plataforma de
políticas públicas para as mulheres como base para a elaboração e ou
fortalecimento de seu plano municipal e na perspectiva da criação e
fortalecimento dos organismos de políticas para as mulheres.
§ 2º - As Conferências Estaduais deverão aprovar uma plataforma de políticas
públicas para as mulheres como base para a elaboração e ou fortalecimento de seu
plano estadual, na perspectiva de criação e fortalecimento dos organismos de
políticas para as mulheres, além das propostas para a Conferência Nacional.
As Conferências Municipais e/ou Regionais e as Conferências Estaduais são um momento
privilegiado para a discussão e elaboração de uma plataforma de políticas para o município e
o Estado, na perspectiva da construção de um Plano de Políticas para as Mulheres.
Este também é o momento para fortalecer a institucionalidade dos organismos de políticas
para as mulheres. Nos municípios e Estados onde não existem organismos é o momento de
criar a Secretaria Municipal ou Estadual de Política para as Mulheres.
Portanto é fundamental que esteja prevista na programação de cada Conferência Municipal
e/ou Regional, um bom tempo para se identificar os problemas e se discutir as soluções para
as necessidades das mulheres e de políticas para as mulheres de cada município.
Órgão responsável pela organização da Conferencia Municipal e/ou Regional
A organização e coordenação é do órgão executivo de políticas para as mulheres do município
e de responsabilidade do Executivo Municipal, sempre em conjunto com a sociedade civil
organizada. Se o município tiver um conselho municipal dos direitos da mulher é importante
que esse integre a Comissão Coodenação da Conferência Municipal.
O que é necessário para a organização de uma Conferência Municipal e/ou Regional
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O primeiro passo é criar uma comissão que reúna Governo e Sociedade Civil. Este grupo
prepara um Regimento, que pode ser baseado no Regimento da Conferência Nacional. Uma
vez redigido o Regimento e formalizada a Comissão, ela tratará dos detalhes de infra-estrutura
e metodologia dentro dos temas definidos para a Conferência Nacional.
Paralelamente, deverá ser solicitada ao Prefeito ou Prefeita do seu município a assinatura do
Decreto de Convocação da Conferência Municipal, este decreto pode, igualmente, ser
desenvolvido nos moldes do assinado pela Presidenta Dilma Rousseff para a Conferência
Nacional.
Se, por algum motivo, não for possível a convocação pela prefeitura, pode-se articular para
que esta seja feita pela Câmara Municipal.
Composição da Comissão Organizadora Municipal
A composição da comissão deve ser paritária, isto é, o mesmos número de representantes do
executivo e da sociedade civil organizada. Por exemplo, a titular da Coordenadoria/Secretaria
Municipal de Políticas para as Mulheres e mais 4 integrantes do Governo Municipal,
representando o executivo e 5 representantes da sociedade civil organizada, incluída aí a
Presidenta ou uma representante do Conselho Municipal dos Direitos da Mulher (se este
existir no município). Estes número são somente um exemplo, se vocês acharem que são
altos, podem manter a paridade de 2 por 2 ou 3 por 3).
Nos municípios em que existe coordenadoria/secretaria de mulheres é importante que a
coordenação geral da Comissão Organizadora Municipal da Conferência fique sob sua
responsabilidade para, com isso, reforçarmos o papel das coordenadorias/secretarias de
políticas para as mulheres.
Se o seu município ainda não tiver um organismo municipal de políticas para as mulheres, a
realização da Conferência Municipal pode ser um bom motivo para o prefeito ou a prefeita
assinar um decreto criando. De qualquer forma, se essa criação não for feita nesse momento,
podem ser indicadas como representantes do executivo municipal, integrantes de outras
secretarias municipais ou do próprio gabinete do prefeito ou prefeita.
O importante é que a Comissão sempre seja coordenada pela Coordenadora/Secretária da
Mulher do seu município, ou se ela não existir, por alguém determinado pela Prefeitura
Municipal, pois isto garante o compromisso do Executivo Municipal. Onde existir Conselho
Municipal dos Direitos da Mulher é importante que este esteja representado na comissão
organizadora da Conferência.
Seria importante, também, ser definida uma pessoa para exercer o papel de Secretária
Executiva da Conferência. Esta pessoa, com uma equipe, será responsável pela execução do
que é definido nas reuniões da Comissão Organizadora Municipal e o que determina a
Coordenadora.
A organização das Conferências Estaduais deverá constituir igualmente uma Comissão
Organizadora em seu estado, observando a paridade entre a representação da sociedade civil e
governo, que será responsável pela organização, implementação e desenvolvimento das
atividades da Conferência Estadual. No Estado em que existir o organismo governamental de
políticas para as mulheres, este deve coordenas a Comissão Organizadora Estadual. Esta
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mesma Comissão será a responsável pela interlocução e troca de informações com a
Comissão Organizadora Nacional. Onde existir Conselho Estadual dos Direitos da Mulher é
importante que este esteja representado na comissão organizadora da Conferência.
Entre as atribuições da Comissão Organizadora Municipal estão:
a) coordenar os trabalho de organização da Conferência
b) coordenar os trabalhos das outras comissões que forem criadas (de comunicação, de
articulação e mobilização, de relatoria, etc.)
c) definir a metodologia da discussão, bem como o formato do relatório final da conferência
municipal.
d) definir a programação
e) Deliberar sobre o orçamento necessário para a realização da Conferência e realizar gestões
para conseguir o patrocínio de empresas locais.
f) definir as comissões necessárias (Comissão Temática, de Relatoria, de Comunicação, de
Articulação...) para o bom funcionamento da Conferência e suas integrantes.
g) Deliberar sobre todas as questões referentes à Conferência.
Escolha da data para a realização da Conferência
O Município pode, dentro do prazo estipulado para a realização das Conferência Municipais,
de 1º de julho a 31 de agosto, escolher livremente a data que melhor lhe convier.
O Estado pode, dentro do prazo estipulado para a realização das Conferências Municipais, de
1º de setembro a 31 de outubro, escolher livremente a data que melhor lhe convier.
Relação entre os níveis municipal e estadual das Conferências
As Conferências Municipais tirarão as delegações que participarão da Conferência Estadual.
Por sua vez, as Conferências Estaduais das 27 Unidades da Federação do país tirarão as
delegadas que serão enviadas para a 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres.
Informação sobre as datas das Conferências Municipais e Estaduais
As datas das Conferências Municipais e/ou Regionais e Estaduais devem ser divulgadas
amplamente pela Coordenadoria/Secretaria da Mulher de cada cidade ou estado. Caso o
município não possua um organismo de políticas para as mulheres, esta informação pode ser
obtida com organizações do movimento de mulheres mulheres ou ainda com o Gabinete do
Prefeito ou Prefeita da sua cidade.
O site da SPM informará as datas de todas as Conferências Municipais que nos forem
comunicadas. E informará também as datas de todas as Conferências Estaduais.
Para participar da Conferência Nacional, é necessário que tenha participado da Conferência de
seu Município ou de uma Conferência Regional (que envolve mais de um Município) e da
Conferência Estadual, organizada pelo seu Estado, tendo sido eleita delegada nesta
Conferência Estadual.
Articulação e mobilização
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Quanto maior a participação na Conferência Municipal e Estadual, melhores serão os
resultados para a elaboração e implementação de políticas para as mulheres no município e
Estado. Nesse sentido é importante organizar discussões sobre o tema da conferência entre as
diferentes secretarias e órgãos municipais e estaduai e estimular que as diferentes
organizações da sociedade civil e as mulheres do município e do Estado também realizem
reuniões preparatórias.
Art.10 - Todas as conferências deverão ser convocadas por chamada pública,
garantida a informação à Comissão Organizadora Estadual e Nacional.
1 § - As Conferências estaduais deverão ser convocadas por instrumento legal.
2 § - A organização das conferências municipais e ou regionais e a Conferência
Estadual deverão garantir a ampla participação dos movimentos feministas e de
mulheres, dos diversos movimentos sociais, conselhos dos direitos da mulher e
demais entidades e representações da sociedade civil.
3 § - As coordenações estaduais poderão estabelecer critérios de delegação para as
Conferências Estaduais, a depender da realidade local.
4 § - A fim de se garantir a plena participação da população, nas etapas
municipal/regional, estadual da 3ª CNPM, recomenda-se que sejam garantidos
recursos de acessibilidade previstos nas normas vigentes no país.
Os recursos de acessibilidade a que se refere o parágrafo 4 indicam a necessidade de termos
acesso para pessoas com deficiência que tenham, por exemplo, dificuldades de locomoção e
utilizem cadeiras de rodas, ou a tradução para a linguagem de sinais, para pessoas com
deficiência auditiva.
Para facilitar, a Comissão Organizadora pode definir uma pessoa ou uma equipe responsável
pela articulação e mobilização para a Conferência: uma Comissão de Articulação e
Mobilização.
Divulgação
É muito importante que as Conferências Municipais/Regionais e as Conferências Estaduais
tenham a maior participação possível, tanto das diferentes secretarias e órgãos municipais e
estaduais, quanto das organizações da sociedade civil e das mulheres dos municípios e
estados.
Portanto, divulgar amplamente a realização da Conferência e sua programação – nas rádios e
nos jornais locais e em todos os meios de comunicação existentes – é fundamental. Bem como
divulgar os resultados da Conferência.
Para facilitar a Comissão Organizadora pode definir uma pessoa ou uma equipe responsável
pela divulgação da Conferência: uma Comissão de Comunicação.
Como participar da 3ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres.
Não existe formulário de inscrição para participação na 3ª Conferencia Nacional, pois antes
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da etapa nacional acontecem as conferências municipais e estaduais. Qualquer pessoa para
sair delegada para a Conferência Nacional deve participar das etapas municipais e/ou regional
e da etapa estadual. É a Conferência Estadual que elege as delegadas para a Conferência
Nacional.
Assim, é importante estar em contato com a Coordenadoria/Secretaria da Mulher ou/e o
Conselho Municipal de Direitos da Mulher do seu município para saber quando e como se
dará a etapa municipal.
Caso a sua cidade ainda não possua um organismo de políticas para as mulheres, procure o
movimento social e/ou de mulheres da sua cidade ou ainda o Gabinete do Prefeito ou Prefeita
Municipal, pois todos/os eles/as receberam um ofício do Governo Federal solicitando a
convocação da Conferência Municipal.
Comissão Organizadora Nacional da 3ª CNPM
Presidência: Iriny Lopes – Ministra da SPM e presidenta do CNDM
Composição:
Secretaria de Políticas para as Mulheres (SPM):
Rosana Ramos - Secretária-Adjunta
Aparecida Gonçalves - Subsecretária de Enfrentamento à Violência contra a Mulher Angélica
Fernandes - Subsecretária de Articulação Institucional e Ações Temáticas
Tatau Godinho - Assessora Especial
Fórum de Organismos Governamentais de Políticas para as Mulheres
Cristina Buarque - Secretária Especial da Mulher do Estado de Pernambuco.
Rosali Scalabrin - Coordenadora Municipal de Políticas para as Mulheres de Rio Branco/AC
Suplentes: Márcia Santana – Secretária de Políticas para as Mulheres do Estado do Rio
Grande do Sul e Gláucia Helena de Souza – Coordenadora de Políticas para as Mulheres de
Contagem/MG
Conselho Nacional dos Direitos da Mulher
Rosane Silva - Central Única dos Trabalhadores (CUT)
Cláudia Prates - Marcha Mundial de Mulheres (MMM)
Graça Costa - Movimento Articulado de Mulheres da Amazônia (MAMA)
Nelita Frank - Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB)
Rosa de Lourdes dos Santos - Rede Nacional Feminista de Saúde (RNFS)
Gláucia Morelli - Confederação de Mulheres do Brasil (CMB)
Suplentes: Maria das Dores Almeida - Articulação de Ong’s de Mulheres Negras (AMNB) e
Silvana Veríssimo - Fórum Nacional de Mulheres Negras (FNMN)
Secretaria Executiva da 3ª Conferência Nacional de Política para as Mulheres
Renata Rossi - Subsecretária de Planejamento e Gestão Interna
Sonia Malheiros - Assessora Especial (Adjunta)
E-mail: conferenciamulheres@spmulheres.gov.br